Vai parecer esquisito falar isso, meio egocêntrico… Mas me identifico com alguns gênios. Outro dia, numa conversa com Lynch, ele disse que – direto isso acontece – quando expõe uma ideia nova, as pessoas costumam não acreditar muito naquilo. Pra elas parece sempre algo sem pé nem cabeça, tipo “de onde ele tirou isso?” ou “ele realmente acha que vai dar certo?”. Então, ele vem com uma frase que destrói qualquer questionamento e enfim pontua o que há em comum entre nós dois: “Se essa ideia surgiu de dentro mim, de uma coisa que sinto, então devo acreditar nela”. E Veludo Azul deu certo.
Outro exemplo. Esse é com Woody Allen, quando acompanhava a turnê com sua banda de Jazz pela Europa, em 96. Enquanto passeávamos pelo terraço do hotel, em Turin, para ele dar uma respirada, fugir um pouco daquele ritmo nada pacato, Woody falou que sentia saudades de Nova York. Disse também que, quando chegasse lá, sentiria saudades da Europa. Enfim, confessou que também nós temos algo em comum, ou melhor: “Posso estar no lugar que for, sempre vou desejar estar num outro lugar. Vivo nessa constante insatisfação”. Isso é muito eu!
Outra coisa incrível é como eu e Lars pensamos igual. Ao ver Grace agüentar por tanto tempo calada aquela situação rebaixada, endividada e ridiculamente recusada, a única coisa que conseguia imaginar que pudesse me trazer um alívio e enfim uma satisfação, era ver toda aquela gente daquela vila – que na verdade poderia ser uma cidade em qualquer lugar e em qualquer época – sendo metralhada! Mas como imaginar Nicole, sempre tão fina, numa situação dessa? Eis que, até aí, nossos pensamentos se comunicam: o poderoso pai de Grace aparece e, então, tem quem faça esse trabalho pra ela. Obrigada por esse momento, Lars!
Falando nisso, não poderia me esquecer de Tarantino. Esse sim parece que lê meus pensamentos! Ele faz a vingança mais violenta valer à pena. Mostra pra quê veio homicídio e pra quê serve esse sangue que corre em nossas veias. Fala sério…eu sempre quis marcar uma suástica na testa de um nazista filho da puta! Eu sempre pensei numa vingança daquela. Na verdade, eu teria feito aquele filme se ele não tivesse chegado antes…
Enfim, existem milhares de exemplos. Assim como eu, Frida também nunca acreditou numa ordem correta para ler literatura clássica. Cada um tem seu momento, a gente lê aquilo que tem vontade, de acordo com a própria didática ou não. E, assim como eu, Einstein acredita ser tudo relativo, mas meu namorado continua reclamando por esse jeito como vejo as coisas… Também não foi Amelie de Jean-Pierre quem descobriu como é bom mergulhar os dedos nos sacos de grãos. E antes mesmo que lançassem a moda eu já curtia muita coisa!
São incríveis as semelhanças entre eu e esse mundo de gênios! Mas tanto, que às vezes me pergunto se não devo deixar a humildade de lado e aceitar, como qualquer herói, o meu destino. Afinal, qual é o problema de ser superior aos outros? Acho que já posso largar a análise… Estou curada.
Tags:cinema, novidade, boas ideias, Ferreira Gullar, stevejobs, arte, transgressões, sucesso, holofotes, expressionismo, teatro, brecht, azul, criação, coisa de gênio, desabafo, viagem, análise













